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Junho 2006


Inmed Brasil e El Paso realizam
campanha Tá Limpo na Bahia

A Inmed Brasil e sua parceria El Paso lançaram no mês de junho nos municípios baianos de Cairu, Camamu e Maraú a campanha Tá Limpo. Houve uma série de atividades referentes à desinfecção da água, higiene pessoal, limpeza de alimentos e benefícios para a saúde a partir de uma dieta baseada em alimentos naturais.

A diretora executiva da Inmed Brasil, Joyce Capelli, disse que o nome da campanha relaciona temas referentes à purificação de alimentos e da água. “Realizamos palestras, distribuímos folhetos e explicamos como é possível evitar a contaminação por verminoses.”

O coordenador de projetos regionais da El Paso, Julio Iaquinto, 42 anos, afirmou que, em toda aquela região, há sérios problemas de saúde e educação. “O projeto da Inmed Brasil foi escolhido, porque não havia até então trabalho preventivo.” Segundo o coordenador, “a falta de saneamento básico é a necessidade maior nesses municípios”.

CAMAMU


Povoado de pescadores de Barcelos do Sul, em Camamu

Para chegar ao povoado de pescadores de Barcelos do Sul, localizado no município de Camamu, é preciso enfrentar 42 km de estrada de terra. Quando foi realizada a ação da Inmed Brasil, havia chovido e o que era estrada transformou-se em um lodaçal. Foram quase duas horas para percorrer o trecho que liga o centro de Camamu a Barcelos do Sul.
Com 1.800 moradores, o povoado tem casas baixas, construções antigas e ruas de terra cercadas por culturas (mamão, caju, coco, banana, cacau). Os homens sobrevivem da pesca e as mulheres produzem redes de pescaria.


Lotada por pais, alunos e professores, a Escola José Pereira Malta ganhou decoração de festa para o lançamento da campanha Tá Limpo. No teto, pendiam bandeirinhas verde-amarelas, as paredes eram ocupadas por cartazes pedagógicos e na entrada da instituição de ensino eram distribuídos folhetos explicativos sobre como evitar a contaminação por verminoses e o método Sodis (Solar Water Disinfection ou Desinfecção Solar da Água).
 

Fantasiados de legumes e hortaliças, colhidos na horta (como alface, brócolis, couve, cenoura, tomate, berinjela), os alunos apresentaram uma peça de teatro, para falar sobre os benefícios que estes produtos trazem para a saúde.

A diretora da escola, Maria do Socorro Malta Coutinho de Souza, 62 anos, fez uma exposição sobre como se dá a contaminação da água e elogiou a iniciativa da Inmed Brasil: “É bom quando vem gente de fora trazer novidades e informações para nós”.

 

A dentista Luciana Gonzaga Silva Cordeiro, 33 anos, falou sobre a importância de escovar bem os dentes e de mudança de hábitos para melhorar a saúde bucal. “As crianças comem doces fora do horário das refeições e não escovam os dentes. Elas precisam se conscientizar mais. Esse trabalho é interessante e desafiador.”



Luciana Gonzaga Silva Cordeiro


Verminoses - Segundo a coordenadora regional da Inmed Brasil em Camamu, Maria Augusta Leal Silva, um levantamento realizado em 2004 mostrou que 90% das crianças de Barcelos do Sul tinham verminose. “Nossa primeira medida foi realizar a distribuição de medicamento anti-helmíntico (Pantelmin®) e em seguida iniciamos campanha de esclarecimento”, contou.
 


Suzileide Mendes da Silva

A professora Suzileide Mendes da Silva, 37 anos, relatou vários casos de alunos, que passavam mal e tinham baixo rendimento na escola, por causa de verminoses. Os estudantes queixavam-se de dor de barriga, fraqueza e falta de ânimo. “Eu tinha um aluno, chamado Giovani Sodré, de 12 anos, que tomou medicação e melhorou muito depois disso. Foi até aprovado.”

 
Dr. Dentuço - A dona de casa Maria Cristina Oliveira Santana, 32 anos, tem quatro filhos. Três deles - Jodenilson, 11 anos; Gleiciane, 10 anos; e Maria da Conceição, 8 anos – estudam na escola José Pereira Malta. As crianças ficaram sabendo dos riscos de andar sem sapatos, em locais onde há esgoto a céu aberto, e de tomar água não tratada. Também receberam informações de como manter a saúde bucal, escovando corretamente os dentes.

Os alunos ganharam kits Dr. Dentuço, da Colgate-Palmolive, com escova e pasta de dente e um joguinho. “É a primeira vez que estou vendo esse tipo de coisa por aqui”, disse Maria Cristina.

 

A coordenadora de Vigilância Sanitária da Secretaria de Saúde de Camamu, Maria Cristina Rocha Sousa, 49 anos, considera importante ações preventivas. “Em Barcelos, há muitos casos de verminoses e outras doenças contagiosas. As pessoas precisam mudar seus hábitos.” A coordenadora de Vigilância Sanitária revelou que muitos pais ofereciam resistência até na hora de vacinar seus filhos. “Sem educação e esclarecimento não se tem saúde.”


Maria Cristina Rocha Sousa

CAIRU

Único município arquipélago brasileiro, Cairu é formado por 26 ilhas e tem 10 mil habitantes. A atividade da Inmed Brasil em Cairu foi realizada na escola Dr. Luiz Navarro de Brito. A escola educa 180 crianças de 7 a 12 anos.

A diretora executiva da Inmed Brasil, Joyce Capelli, discorreu sobre contaminação por verminoses e o método Sodis de purificação da água para uma platéia atenta de pais e responsáveis dos alunos.

A diretora Ana Maria da Luz Lisboa, 36 anos, disse que muitas vezes a criança contrai vermes, por falta de esclarecimento dos pais. “Por isso, é importante que haja esta conscientização”, declarou


Ana Maria da Luz Lisboa

Terminada a exposição, mães de alunos falaram sobre a palestra:
 


Irene da Silva Santos, 28 anos, 4 filhos: “É a primeira vez que ouço falar em Sodis. Achei ótimo. Meus filhos, todos eles, têm problemas de verminose. Eu filtro a água, mas é só a gente vacilar um pouco que eles vão na torneira e tomam água contaminada”

Maria das Candeias Oliveira, 33 anos: “Achei ótimo. Não tinha essas informações. Fui saber hoje. Adorei. Tenho cinco filhos e todos têm verminose”.


Dilma Nascimento Santos, 26 anos, um filho de 8 anos: “Não conhecia o método Sodis. Achei ótimo. Vou fazer em casa”


Maria Benedita dos Santos, 55 anos, 2 filhos: “Nós temos muito problema com verminose. Mesmo quando a gente ferve a água, fica um lodo. A nossa água está sempre suja. A gente lava o filtro num dia e precisa lavar novamente no dia seguinte. Gostei desse método Sodis, porque é prático e não custa nada”.


Decéles Machado da Silva, 36 anos, mãe de sete filhos: “Não posso comprar água mineral, por isso sou obrigada a beber água contaminada. As crianças nunca deixam de ter verme. Gostei da iniciativa da escola e de aprender sobre o Sodis. Adorei”.


Maria Ramos dos Santos, 32 anos, 5 filhos: “Todos têm vermes. Dá pra fazer esse método em casa. Não é complicado. Achei bom. Nunca tinha visto isso”.


E a aluna Luciele Cabral Nascimento, 10 anos, 2ª série, também opinou: “Achei boa a explicação. Aprendi qual água a gente pode beber e qual água tem bichos dentro dela.”

MARAÚ

Situada no Sul da Bahia, entre o Morro de São Paulo e Itacaré, a península de Maraú é cercada por vegetação exuberante e praias cinematográficas. Em meio a uma vista de um milhão de dólares, fica a escola Tia Renilda, com sua horta em trabalho de reconstrução pela Inmed Brasil. No ano passado, foram colhidos ali cenoura, tomate, couve e outros produtos, utilizados no enriquecimento da merenda escolar.

 
A diretora da escola, Ridalva Roque Patrício, 64 anos, aprova a ação. “Acho esse trabalho maravilhoso. A garotada gosta muito, demonstra bastante interesse. Eles vêm acompanhar o crescimento das plantas. É ótimo.”

 

A estudante da 4ª série Tailane Santos de Souza, 9 anos, gostou tanto de fazer horta na escola que levou a idéia para casa. “Eu e a minha mãe plantamos alface, cenoura e repolho”, disse.


Tailane Santos de Souza

 
A Inmed Brasil tem atualmente, em Maraú, seis hortas em atividade. Além da horta na Escola Tia Renilda, as outras ficam nas localidades de Piabanha, Ibiaçu, Tremembé, Santa Maria e Tabuleiro.

 

Método Sodis - Sodis
(Solar Water Disinfection), ou Desinfecção Solar da Água, usa a radiação solar para destruir microorganismos patogênicos que causam doenças e é ideal para tratar pequenas quantidades de água: o líquido contaminado, que não pode estar turvo, é colocado em garrafas plásticas transparentes e deve ficar exposto ao sol por seis horas.

A luz do sol trata a água por meio de radiação e aumento da temperatura da água. Trata-se de uma tecnologia muito simples, aprovada pela OMS (Organização Mundial de Saúde), com o objetivo de tornar a água potável.
 

 
  

Parceiros da INMED Brasil
USAID Brasil e o Global Development Alliance of USAID; Monsanto Fund e Monsanto Brasil; GE Fund e GE Brasil; El Paso; Termonorte; Rio Polímeros; Johnson&Johnson e Janssen-Cilag;
Colgate-Palmolive; Allen Foundation; Merck Sharp&Dohme; Ache Laboratórios;
e a ONG INMED Partnerships for Children.


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