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Alunos
de escola pública de Uberlândia têm aula
de ciências em horta do projeto Horta Brasil |
Os alunos da escola municipal Joel Copertino Rodrigues, no bairro
Dom Almir em Uberlândia (MG), têm aulas práticas de ciências em uma
horta de 300 m2, construída no próprio terreno da escola. Esta é uma
iniciativa do projeto Horta Brasil, desenvolvido pela organização
sem fins lucrativos Inmed Brasil, em diversos estados brasileiros.
Em Uberlândia, o programa é realizado em parceria com a empresa Monsanto
e com a secretaria de educação do município.
O professor de ciências Delismar Batista, 42 anos, diz que os estudantes
estão aprovando a experiência. “Trago os meus alunos para observar
o trabalho de solo, adubação, manejo. Eles gostam demais dessas aulas
práticas”.
O professor percebeu que alguns alunos mais rebeldes na sala de aula
alteram o comportamento quando a didática é transferida para a horta.
“O ambiente muda, deixa de ser só teórico e esses alunos que
apresentam problemas disciplinares na sala de aula, participam com
muito interesse e dedicação, mostrando vontade de aprender.”
A idéia, segundo o professor, é fazer com que cada sala de aula tenha
o seu canteiro. “Se toda escola pública tivesse uma horta como
a nossa, ajudaria muito na melhoria da alimentação e no próprio enriquecimento
didático.”
A aluna Joyce Lopes, 12 anos, disse que aprendeu como efetuar o plantio
e tratar a terra. “Se eu tiver de plantar uma horta em casa,
já sei como fazer.”
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Joyce
Lopes, aluna da 6ª série, com verduras plantadas na
escola |
O
aluno Daniel Rodrigues Lourenço, de 13 anos, também
estudante da 6ª série, está um passo adiante:
“Em casa, a gente já fez uma horta. Ajudei meu pai
a plantar couve, alface, repolho e cebola”.
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Joyce diz que gosta de “mexer na terra” e Daniel afirma
que “os produtos que a gente colhe aqui na escola e na minha
casa são garantidos, porque a gente mesmo plantou e viu nascer”.
A vice-diretora da escola municipal Joel Copertino Rodrigues, Neide
Amaral, 35 anos, deu detalhes de como a horta tem contribuído
para a dinâmica de estudo: “Os alunos aprendem noções
de geometria (círculo, retângulo, quadrado), metragem,
desenvolvem projetos. É muito mais fácil para o professor
explicar o que é uma dúzia, por exemplo, se o aluno
pega doze pés de cebolinha e faz o plantio”.
Ela conta que as merendeiras utilizam os alimentos recolhidos na
horta. “Isso é muito bom, porque nossos alunos têm
carências nutricionais.” Só lamenta não
ter mais espaço dentro da área da escola, para ampliar
o plantio. “Nós estamos muito felizes com essa iniciativa
da Inmed, e eu, particularmente, não consigo mais ver a nossa
escola sem a horta.”
A escola Joel Copertino tem 2.500 alunos de sete a 17 anos, nos
três períodos.
Entusiasta
O sucesso
do projeto-piloto, em Uberlândia, deve muito ao trabalho e
ao entusiasmo de Mariana Cintra, mãe de aluno e coordenadora
da implantação de hortas escolares e comunitárias
da Inmed. Mariana iniciou o trabalho em Uberlândia reunindo
famílias, distribuindo grãos e ensinando a comunidade
como preparar a terra. Para Mariana, a horta está relacionada
com a melhoria da qualidade de vida, com quintais mais limpos, sem
lixo, sem insetos. “Para onde eu for, se ainda não
tiver horta, vai passar a ter”, garante.
Mariana nasceu há 45 anos, em Santa Helena de Goiás
(GO). Há três anos, desenvolveu o primeiro projeto
para a Inmed na escola Eugênio Pimental Arantes, no bairro
Morumbi. Atualmente, coordena a implantação de hortas
em três escolas: Joel Copertino, Creche do Alvorada e Escola
Municipal do Alvorada. “Adoro mexer com horta. Isso me acalma
e é um retorno às minhas origens, na época
em que eu era criança e vivia na fazenda do meu pai.”
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Mariana
ao lado de uma das hortas que cuida, em Uberlândia. Ela dá
palestras em salas de aula, reúne pais de alunos para passar
noções nutricionais e tem muita fé na educação:
“Eu digo sempre, se você está projetando um ano,
plante arroz; se estiver projetando uma década, plante uma
árvore; mas se está fazendo projeto para toda uma vida,
eduque uma criança”. |
Ela dá palestras em sala de aula, reúne pais de alunos
para passar noções nutricionais e tem muita fé
na educação: “Eu digo sempre, se você está
projetando um ano, plante arroz; se estiver projetando uma década,
plante uma árvore; mas se está fazendo um projeto para
toda a vida, eduque uma criança”.
O horteiro Ernando Amaral, 37 anos, reclama da falta de hábito
do brasileiro em cuidar de plantações para uso doméstico.
"Infelizmente, nosso povo não gosta de plantar. Ele prefere
comprar tudo pronto". |
Ao
lado, o horteiro Ernando Amaral.
Ele garante que "se a pessoa tiver um pedacinho de terra",
é possível colher legumes e verduras.
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Início
A coordenadora da Inmed em Uberlândia, Maristela Ferrari Masson,
45 anos, conta que em 2001, teve início na cidade o projeto
Crianças Saudáveis, Futuro Saudável, que fez
um mapeamento de centenas de crianças das escolas públicas
municipais, por meio de exames ergométricos (altura e peso),
de sangue e parasitológicos.
O principal problema de saúde detectado pela INMED foi a anemia
(54% das crianças testadas apresentaram um nível de
hemoglobina abaixo do normal, apresentando portanto baixo estoque
de ferro no organismo, muitas vezes já com sintomas de anemia).
Com isso, a INMED elaborou um projeto experimental para melhorar a
qualidade nutricional das crianças das escolas públicas,
que ganhou o nome de Horta Brasil. |
Expansão
O projeto-piloto realizado em Uberlândia deu
tão certo, que se espalhou por vários estados do país
e hoje beneficia alunos de escolas municipais de Manaus (AM), Porto
Velho (RO), Sorriso (MT), Santa Helena de Goiás e Morrinhos
(GO), Camaçari, Dias D’Ávila, Cairu, Camamu e
Maraú (BA), comunidade de Jacarezinho no Rio de Janeiro (RJ)
e Paracatu (MG) com o apoio de órgãos governamentais
nacionais e internacionais, empresas nacionais e internacionais.
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