Ano I, Exemplar 9
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Agosto 2005

 
Inmed e Merck começam programa de
prevenção à Aids em Francisco Morato

A cena se passa em uma sala de aula da sexta série de uma escola de Francisco Morato, município da região metropolitana de São Paulo. O educador pergunta se algum dos alunos conhece o nome de alguma doença venérea.
Um dos estudantes levanta a mão e grita: Gonorréia! Parte da classe dá risada, enquanto os demais ficam constrangidos e abaixam a cabeça, com vergonha.


Aluna de Escola Estadual de Francisco Morato

Um levantamento inicial sobre o grau de conhecimento sobre sexualidade de estudantes do ensino fundamental de Francisco Morato, feito pela ONG (organização não governamental) Inmed Brasil, mostrou que a maior parte dos estudantes evita discutir sexo com pais e professores.

Eles preferem trocar idéias com os colegas, afirma o coordenador de projetos e psicólogo da Inmed, Marcos Borges. A informação que chega é cifrada. Vem às vezes por TV, pelas telenovelas. Eles sabem que precisam tomar cuidados, mas muitos desconhecem que tipos de cuidados são esses.


Educador da Inmed distribui questionários

Foram passados 240 questionários a alunos do ensino fundamental de escolas públicas de Francisco Morato. A iniciativa é parte do programa Prevenção, Quanto Antes Melhor, uma parceria entre Inmed Brasil, empresa farmacêutica Merck Sharp & Dohme e Secretaria Municipal de Educação de Francisco Morato, com o objetivo de reduzir os índices de contaminação por HIV em jovens daquele município.

O aluno da Escola Estadual Celestina Lengenfelder José Lucas, 12 anos, considerou fácil o questionário. " Eu sabia todas as respostas." O questionário que faz perguntas genéricas sobre sexo, namoro e formas de contaminação nas relações sexuais é uma das etapas do programa. Nas fases seguintes, 26 professores receberão cursos de formação e se transformarão em multiplicadores de práticas preventivas. Haverá reuniões com pais de alunos, para explicar a que se propõe o procedimento.

A aluna Magda Santos Vasques, 12 anos, estudante da sexta série da EE Celestina Lengenfelder, contou que era a primeira vez que respondia a um levantamento sobre sexualidade na escola. "Quanto mais informação a gente tiver, melhor." O professor da rede estadual de ensino Márcio Ítalo da Silva, 35 anos, afirmou que os alunos sentem uma angústia muito grande diante da sexualidade. "Por isso, todo programa de esclarecimento é muito positivo."

Quitéria Soares da Silva, 54 anos, mãe de dois alunos, também aprova ações que visem o esclarecimento. "Converso com meus filhos abertamente, mas não todos os pais que agem assim. O meu marido mesmo tem vergonha e evita falar sobre isso." Segundo Quitéria, os estudantes precisam ter o máximo de orientação, para evitar Aids e outras doenças sexualmente transmissíveis.

Baixa Renda - Francisco Morato, com 134 mil habitantes, é um dos municípios mais carentes da Grande São Paulo. Setenta por cento de seus moradores economicamente ativos ganham de 1 a 5 salários mínimos. Do total de 28 mil alunos do ensino fundamental, 97% deles estudam em escolas públicas.
Os números de mortalidades revelam que, até 2004, foram notificados 211 novos casos de Aids em Francisco Morato. Levantamento do Ministério da Saúde mostra que a Aids é responsável por 14,6 do coeficiente de mortes no município (em 100 mil habitantes). O dobro das mortes provocadas por acidentes de trânsito.

O programa Prevenção, Quanto Antes Melhor tem o objetivo de educar crianças de 6 a 14 anos sobre sexo, risco da contaminação por doenças sexualmente transmissíveis e HIV/Aids. Terá um ano de duração e beneficiará 6 mil alunos da rede pública de ensino de Francisco Morato. Serão envolvidos 24 mil familiares e cerca de 100 professores. Para colocá-lo em prática, a Inmed recebeu uma doação de R$ 112 mil da Merck Sharp & Dohme. A diretora executiva da Inmed, Joyce Capelli, diz que a iniciativa privada e o terceiro setor devem se unir e fortalecer políticas públicas. "A população é beneficiada com projetos e programas de longo prazo."

A Inmed Brasil, uma ONG sem fins lucrativos, iniciou seus trabalhos no Brasil em 1994. Nesse período, já atendeu mais de 1 milhão de crianças e 4 milhões de pessoas, desenvolvendo programas de melhoria das condições de vida e saúde, em 10 estados brasileiros e 28 comunidades. A Inmed Brasil é parceira da organização internacional Inmed Partnerships for Children, sediada em Sterling, Virginia, Estados Unidos.

Departamento de Comunicação da Inmed Brasil

Entrevistas com Joyce Capelli podem ser agendadas pelo telefone 3815-9079 (contato@inmed.org.br)

 

Parceiros da INMED Brasil
USAID Brasil e o Global Development Alliance of USAID; Monsanto Fund e Monsanto Brasil; GE Fund e GE Brasil; El Paso do Brasil; Termonorte; Johnson&Johnson e Janssen-Cilag do Brasil; Colgate-Palmolive; Rio Polímeros; Merck Sharp&Dohme; Ache Laboratórios; e a ONG INMED Partnerships for Children.


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