Inmed e Merck começam programa de
prevenção à Aids em Francisco Morato
A cena se passa em uma sala de aula da sexta série de uma escola de Francisco Morato, município da região metropolitana de São Paulo. O educador pergunta se algum dos alunos conhece o nome de alguma doença venérea.
Um dos estudantes levanta a mão e grita: Gonorréia!
Parte da classe dá risada, enquanto os demais ficam
constrangidos e abaixam a cabeça, com vergonha.
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Aluna de Escola Estadual de Francisco Morato |
Um levantamento inicial sobre o grau de conhecimento sobre sexualidade de estudantes do ensino fundamental de Francisco Morato, feito pela ONG (organização não governamental) Inmed Brasil, mostrou que a maior parte dos estudantes evita discutir sexo com pais e professores.
Eles preferem trocar idéias com os colegas, afirma o coordenador
de projetos e psicólogo da Inmed, Marcos Borges. A informação
que chega é cifrada. Vem às vezes por TV, pelas
telenovelas. Eles sabem que precisam tomar cuidados, mas muitos
desconhecem que tipos de cuidados são esses.
Educador da Inmed distribui questionários
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Foram passados 240 questionários a alunos do ensino fundamental de escolas públicas de Francisco Morato. A iniciativa é parte do programa Prevenção, Quanto Antes Melhor, uma parceria entre Inmed Brasil, empresa farmacêutica Merck Sharp & Dohme e Secretaria Municipal de Educação de Francisco Morato, com o objetivo de reduzir os índices de contaminação por HIV em jovens daquele município. |
O aluno da Escola Estadual Celestina Lengenfelder José
Lucas, 12 anos, considerou fácil o questionário.
" Eu sabia todas as respostas." O questionário
que faz perguntas genéricas sobre sexo, namoro e formas
de contaminação nas relações sexuais
é uma das etapas do programa. Nas fases seguintes, 26 professores
receberão cursos de formação e se transformarão
em multiplicadores de práticas preventivas. Haverá
reuniões com pais de alunos, para explicar a que se propõe
o procedimento.
A aluna Magda Santos Vasques, 12 anos, estudante da sexta série
da EE Celestina Lengenfelder, contou que era a primeira vez que
respondia a um levantamento sobre sexualidade na escola. "Quanto
mais informação a gente tiver, melhor." O professor
da rede estadual de ensino Márcio Ítalo da Silva,
35 anos, afirmou que os alunos sentem uma angústia muito
grande diante da sexualidade. "Por isso, todo programa de
esclarecimento é muito positivo."
Quitéria Soares da Silva, 54 anos, mãe de dois alunos,
também aprova ações que visem o esclarecimento.
"Converso com meus filhos abertamente, mas não todos
os pais que agem assim. O meu marido mesmo tem vergonha e evita
falar sobre isso." Segundo Quitéria, os estudantes
precisam ter o máximo de orientação, para
evitar Aids e outras doenças sexualmente transmissíveis.
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Baixa Renda - Francisco Morato, com 134 mil habitantes, é um dos municípios mais carentes da Grande São Paulo. Setenta por cento de seus moradores economicamente ativos ganham de 1 a 5 salários mínimos. Do total de 28 mil alunos do ensino fundamental, 97% deles estudam em escolas públicas.
Os números de mortalidades revelam que, até 2004, foram notificados 211 novos casos de Aids em Francisco Morato. Levantamento do Ministério da Saúde mostra que a Aids é responsável por 14,6 do coeficiente de mortes no município (em 100 mil habitantes). O dobro das mortes provocadas por acidentes de trânsito. |
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O
programa Prevenção, Quanto Antes Melhor
tem o objetivo de educar crianças de 6 a 14 anos sobre
sexo, risco da contaminação por doenças sexualmente
transmissíveis e HIV/Aids. Terá um ano de duração
e beneficiará 6 mil alunos da rede pública de ensino
de Francisco Morato. Serão envolvidos 24 mil familiares
e cerca de 100 professores. Para colocá-lo em prática,
a Inmed recebeu uma doação de R$
112 mil da Merck Sharp & Dohme. A diretora
executiva da Inmed, Joyce Capelli, diz que a
iniciativa privada e o terceiro setor devem se unir e fortalecer
políticas públicas. "A população
é beneficiada com projetos e programas de longo prazo."
A Inmed Brasil, uma ONG sem fins lucrativos, iniciou seus trabalhos no Brasil em 1994. Nesse período, já atendeu mais de 1 milhão de crianças e 4 milhões de pessoas, desenvolvendo programas de melhoria das condições de vida e saúde, em 10 estados brasileiros e 28 comunidades. A Inmed Brasil é parceira da organização internacional Inmed Partnerships for Children, sediada em Sterling, Virginia, Estados Unidos.
Departamento de Comunicação da Inmed Brasil
Entrevistas com Joyce Capelli podem ser agendadas pelo telefone 3815-9079 (contato@inmed.org.br)