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22/9/2016

Levamos o Ação Saudável para os limites de São Bernardo do Campo

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São Bernardo do Campo é um município grande – tem 407 quilômetros quadrados com regiões muito diferentes umas das outras. Há bairros tão distantes do Centro que precisamos tomar balsa para chegar lá. É caso do Taquacetuba, cortado pela represa Billings, onde fica a Escola Municipal de Ensino Básico Ítalo Damiani.

Levamos o Ação Saudável para os limites de São Bernardo do Campo
Fachada da escola Ítalo Damiani, beneficiada pelo programa Ação Saudável

Nós já fincamos a bandeira do Programa Ação Saudável no terreno de mata cerrada onde está essa escola. Os 117 alunos de 1º a 5º ano do Ensino Fundamental participam de nossas atividades voltadas para uma vida mais saudável e com melhores opções de alimentação.

Já montamos uma horta com o pessoal da escola e com a ajuda do vizinho de muro da unidade de ensino, o Sr. João Zanota, que cedeu uma parte do seu terreno para a plantação. Essa boa vontade contaminou pais e familiares dos alunos, que também colocaram a mão na terra. Eles moram na região e mostraram ter muita informação sobre agricultura.

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Horta Escolar montada em terreno cedido pelo vizinho. A cerca evita invasão de galinhas

“Nossa escola já foi rural. A comunidade de Santa Cruz, bem próxima à escola, tem cerca de 700 famílias, com muitos integrantes que têm plantações em casa”, explica-nos Hilda Hideko Miasito, de 57 anos de idade, 19 deles como diretora da escola.

Ela continua contando pra gente: “O grande problema que impede surgirem mais hortas domiciliares é a falta de água encanada. As casas são abastecidas por caminhão pipa. Em nossa escola temos um poço artesiano, que nos abastece e permite a manutenção da horta, que é um charme nosso. Ela trouxe a comunidade para dentro da escola. A gente ouve todo mundo que tem dicas e opiniões, reúne as experiências de todos com muito respeito.”

Realmente, nós constatamos essa participação ativa: Sonia Aparecida de Oliveira Silva e José Caetano da Silva já tiveram filhos que estudaram na escola e, atualmente, têm um neto frequentando as aulas. Seu Caetano ajuda na plantação e a fazer canteiros. Dona Sonia sempre vai à unidade para revolver a terra e dar dicas. Ela cresceu no bairro e desde criança trabalhava na roça do pai. “Quando eu era criança a vida era assim: levantar, tomar café, seguir pra escola a pé, voltar, almoçar e seguir para roça, plantar ou colher. Coisas que meu pai, rígido, exigia que fizéssemos todo dia”, ela diz.

Nivaldo Drigo, pai das alunas Isabelle e Luiza Jesus Drigo, de 10 e 7 anos de idade, é outro participante ativo das atividades. Ele vive da venda de hortaliças que planta em sua casa. “Vendo de porta em porta na comunidade. Aqui na escola, aproveito minha experiência. Eu planto, ajudo, eles perguntam e eu respondo.”

A comunidade também trouxe resposta para outra ameaça constante que ronda frutos, legumes e tubérculos: as galinhas do vizinho que dividem espaço com a horta no terreno cedido e ciscam tudo que cresce por ali.

A diretora Hilda nos explicou que a solução surgiu de muita pesquisa sobre a melhor maneira de cercar os canteiros e com grades fabricadas na própria vizinhança. “Conseguimos com um morador daqui uma grade para a cerca muito resistente, com ótimo preço e ainda estimulamos o comércio local.”

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A horta se tornou a 'vedete' da escola e as crianças estão ansiosas pela primeira colheita

A horta, embora muito badalada, é recente, ainda não rendeu a primeira colheita, mas já revela o interesse dos alunos em experimentar as hortaliças na merenda. “As crianças estão dispostas a comer tudo que sair da horta. Essa disposição para experimentar é ótima.”

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Os familiares dos alunos participam ativamente das atividades na horta escolar

Assim como há muita disposição para pesquisar. Tudo é motivo de pesquisa no que diz respeito à horta, que tem posição de destaque no cotidiano da unidade de ensino: “Estamos analisando as hortaliças que nascem próximas e as que nascem longe do sol, assim como as diferentes técnicas de plantação – com mais ou com menos terra, se foram plantadas sementes ou mudas. Como estão nascendo as primeiras folhas e estão muito bonitas, já estamos pesquisando outras culturas como milho e feijão. A Sonia já explicou que o melhor método para essas sementes é a ‘covinha’ (fazer um buraquinho na terra para fazer o plantio). Tudo aqui é aprendizado.”

Seu Caetano completa: “E é tudo muito saudável, sem agrotóxico.”

O professor de educação tecnológica da escola, Claudio Lizeas Sriubas, nos dá um bom exemplo do tom multidisciplinar da plantação. “Quando pensamos tecnologia temos que ir além da informática, temos que relacionar com técnicas para proporcionar boa qualidade de vida. A horta é ótima para a gente pesquisar técnicas ou tecnologias que melhoram o plantio, as crianças colocam a mão na terra e trazem seus conhecimentos para trocar com os nossos. Tudo com muito respeito.”

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A diretora Hilda Hideko Miasito e o aluno Wallace dos Santos Silva revelam orgulho da plantação

O aluno Wallace dos Santos Silva, de 9 anos de idade, usa enxada com destreza quando está na horta. Ele é modelo de como os conhecimentos que vêm de casa têm lugar garantido na horta: “A gente planta na nossa casa. Isso é muito bom. Gostei da ideia de fazer horta aqui na escola. Eu ajudo meus colegas que não sabem como tratar a terra.”

Outro que se esbalda entre os canteiros é o aluno Antônio Laurindo, de 12 anos de idade. “Adoro plantar. Gosto muito de ver as plantas crescendo.”

A professora Ana Maria Jung resume pra gente muito bem a disposição da equipe com o programa Ação Saudável: “Estamos num lugar muito distante, esquecido por muita gente. Tudo de bom que chega até nós é muito explorado. A gente tira o máximo proveito de tudo que vêm até aqui.”

Nós vimos o quanto isso é verdade. Entre os canteiros, alunos e professores já cultivam mudas e sementes que trouxeram de casa. E até pneus achados nas estradas de terra da comunidade são recolhidos para servir de novos canteiros. A horta realmente é a vedete dessa turma do ‘pós-balsa’ em São Bernardo.

O programa é realizado na cidade pela Inmed Brasil em parceria com a Fundação Mondelēz International e apoio dos governos locais.

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